sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Carta aos amigos que nunca deixei

Me parece impossível manter as coisas estáticas. Vejo pessoas com amizades de infância e as admiro, mas meus sentimentos são todos muito fluidos e é inegável o quanto me modifiquei. Guardo cada pessoa que passou pela minha vida. Com algumas ainda falo, outras observo pelas redes sociais. É um tanto quanto estranho para alguns minha maneira de amar e me relacionar. Eu posso, e fico, tempos sem falar, sem ver, encontrar, mas aquela pessoa ainda tem um pedaço de mim e quando o encontro acontecer eu terei o mesmo carinho de tempos atrás. Sempre é como se nenhuma distancia tivesse nos acometido.

É como se meu coração fosse de pão e cada pessoa que passa pela minha vida fica com uma migalha que condiciona minha caminhada. Sempre surgirá alguém. Da escola, de todas as ruas em que morei, dos amigos dos amigos, os que foram mais que amigos, meus professores, desde o jardim até a faculdade. A todos esses eu guardo um espaço no meu coração. Me cobri de alegria certa vez que cruzei, por acaso, com meu professor de química da sétima serie, que depois de anos sem me ver, me chamou pelo nome e depois de uma longa conversa disse que tem orgulho de quem eu me tornei. Meu carinho e gratidão por tudo o que foi feito pra que eu me tornasse quem eu sou hoje não tem definição.

No fim acho que me orgulho de ter ciclos de convívio tão mutáveis, cada uma dessas pessoas tem um pedacinho de responsabilidade por ter me tornado quem sou hoje. Cada coisa ruim, vacilo, risadas, tombos, cachus, plays, pts, tudo isso, todos vocês, são uma parte de mim.

Acho que no fim, o que importa não é só você ter aquele broder desde os dois anos de idade, mas você cuidar e curtir cada pessoa que passa pela sua vida e valorizar cada momento. Mesmo que vocês não se falem por meses ou anos, ele nunca será um estranho, não pra mim, porque ele sempre terá um pedaço do meu coração com ele, por mais q ele não saiba.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Um mundo de anéis sem dedos

Dizem que vão-se os dedos e ficam-se os aneis, opa, não acho que é o contrário. Difícil imaginar um mundo em que são os dedos que ficam.  Vivemos em tempos de tanta inconsistência sentimental e efemeridades que acabamos esquecendo de que nós somos os dedos e não os anéis.
Tudo em nossas vidas parece que têm passado mais rápido, de repente são seis horas, de repente temos 20 anos e, nossa, como foi bom ter 20 anos. Não que meu quarto de século nao seja bom, mas sempre queremos mais.  Talvez por isso sejamos a geração das ritalinas e do rivotril, dos ansiolíticos e anti-depressivos.  Nós nos preocupamos muito, com o tempo principalmente.
Estamos o tempo todo correndo contra o tempo para ter tempo para gastar, mas gastar com o quê? Fazemos tão pouco aquilo que gostamos que até me pergunto se ainda sabemos do que gostamos. Pior é que quando sabemos tentamos encaixa-los em meio as milhares de responsabilidades, o que acaba tirando um pouco da graça e da naturalidade que aquilo deveria ter.
Naturalidade, engraçado usar essa palavra em um mundo q as vezes parece tao artificial e pré-moldado. Tal como uma cidade planejada organizamos nossas relações, desde o primeiro olhar até a primeira transa e as vezes depois.  Tudo é milimetricamente calculado: quanto tempo gastar, o que falar, como falar e assim, analisamos cada característica da pessoa esperando q ela seja boa o suficiente para que possamos nos relacionar. Afinal, hoje em dia não se tem muito tempo para perder com quem possivelmente nao vale a pena.
Curioso, o que faz alguém valer a pena?
Às vezes esperamos tanto das pessoas que elas deixam de valer a pena, mas nós valemos? Esperamos sempre do outro, mas até onde estamos dispostos a reconhecer e mudar nossos defeitos? O esforço para que uma relação funcione deve ser mútuo; as mudanças recíprocas.
Dai então vão os dedos e ficam os anéis.
Entede-se por dedos aquilo que é essencial, fundamental, mas trabalhamos realmente no que é fundamental em nós? Reconhecemos o que precisamos mudar para melhorar a nossa interação com o mundo ou só exigimos que o mundo se adeque aos nossos caprichos? Percebo muito apego a miudezas sem valor e pouca importância para o que é  realmente valorável. Observar o outro por segurança é louvável, mas dar uma chance para a desconstrução de preconceitos é fundamental.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Perdido no abismo da solidão,  minhas cicatrizes casam com meus olhos trincados.Estou só! Confuso, como sempre. Estou só. No bar, perdido à porta, sinto minhas ideias desconexas e não odeio mais o tilintar dos copos carregados por corpos sem vida.
A morbidez do ambiente acresce aos meus delírios que, por ora, me fazem contente. Posso me forçar ao deleite de aprenderciar a natureza que me cerca, mas de tão embriagado, empalideço minh'alma. Estou só. Ando a esmo mas não me desligo desse concreto que parece me prender. Retorço meus órgãos, dói a solidão. A minha volta, meus amigos tentam construir um novo eu. Meus olhos ficam marejados, a realidade me cai como uma bigorna, tudo gira.
Estou só!



35 meses em 16 horas

35 meses em 16 horas. Arfo ao perceber o quão inevitável é o incomodo com a complexidade sentimental desse dia. Nado com largas braçadas no mar da bipolaridade enquanto a insegurança infundada toma forma de farol e indica a direção errada em meio à completa escuridão que permeia meu espírito.

Dicotomia rudimentar: Eu e eu. Afinal, que é eu? Me perco escrutinando as ideias que me perturbam e me deixam em constante crise existencial. Então desisto. Me cansa pensar em tentar me entender. Vago a esmo pela vida a mim concedida sedenta por um proposito; uma razão. Descubro que tenho vários. Nada é suficiente. Eu não sou suficiente. A insuficiência se externaliza. Nada mais é suficiente. O que é suficiência? Não preciso entender.

Do que preciso então? Preciso parar. Parar de racionalizar. Parar de sentir. Parar de reprimir. Parar de parar. Parar!

Permaneço então inerte. Vejo a vida passar como a paisagem em uma janela de um carro em movimento. Nada faço. Qualquer movimento é um fardo. A possibilidade de tentar qualquer coisa é coberta por tanta incerteza que retorço meu pâncreas e permaneço estática esperando alguém chegar.

Você chegou. Custei a perceber. Percebi! Senti, amei, vivi. Então me perdi. Vesti a fantasia da insuficiência adornada de insegurança e com leves traços de orgulho. Peguei a mão que me destes e entreguei impiedosamente ao fogo do julgamento, da ira, da loucura.

Perdoei; fui perdoada. Me perdi. Te joguei em um limbo e te obriguei a lidar com tudo que açoita sua existência. Sadicamente observo de longe. Ora tento ajudar, ora só faço atrapalhar.  Na constância do aprendizado, pareço criança que recorre às mesmas falhas sem ao menos se dar conta do que faz. Percebo. Paro! Peço tempo.

35 meses em 16 horas. Arfo.

Desejo que esse looping acabe logo.