Carta aos amigos que nunca deixei
Me parece impossível manter as coisas estáticas. Vejo pessoas com amizades de
infância e as admiro, mas meus sentimentos são todos muito fluidos e é inegável
o quanto me modifiquei. Guardo cada pessoa que passou pela minha vida. Com
algumas ainda falo, outras observo pelas redes sociais. É um tanto quanto
estranho para alguns minha maneira de amar e me relacionar. Eu posso, e fico,
tempos sem falar, sem ver, encontrar, mas aquela pessoa ainda tem um pedaço de
mim e quando o encontro acontecer eu terei o mesmo carinho de tempos atrás.
Sempre é como se nenhuma distancia tivesse nos acometido.
É como se meu coração fosse de
pão e cada pessoa que passa pela minha vida fica com uma migalha que condiciona
minha caminhada. Sempre surgirá alguém. Da escola, de todas as ruas em que
morei, dos amigos dos amigos, os que foram mais que amigos, meus professores,
desde o jardim até a faculdade. A todos esses eu guardo um espaço no meu
coração. Me cobri de alegria certa vez que cruzei, por acaso, com meu professor
de química da sétima serie, que depois de anos sem me ver, me chamou pelo nome
e depois de uma longa conversa disse que tem orgulho de quem eu me tornei. Meu
carinho e gratidão por tudo o que foi feito pra que eu me tornasse quem eu sou
hoje não tem definição.
No fim acho que me orgulho de ter
ciclos de convívio tão mutáveis, cada uma dessas pessoas tem um pedacinho de responsabilidade
por ter me tornado quem sou hoje. Cada coisa ruim, vacilo, risadas, tombos,
cachus, plays, pts, tudo isso, todos vocês, são uma parte de mim.
Acho que no fim, o que importa não
é só você ter aquele broder desde os dois anos de idade, mas você cuidar e
curtir cada pessoa que passa pela sua vida e valorizar cada momento. Mesmo que
vocês não se falem por meses ou anos, ele nunca será um estranho, não pra mim,
porque ele sempre terá um pedaço do meu coração com ele, por mais q ele não
saiba.