Perdido no abismo da solidão, minhas cicatrizes casam com meus olhos trincados.Estou só! Confuso, como sempre. Estou só. No bar, perdido à porta, sinto minhas ideias desconexas e não odeio mais o tilintar dos copos carregados por corpos sem vida.
A morbidez do ambiente acresce aos meus delírios que, por ora, me fazem contente. Posso me forçar ao deleite de aprenderciar a natureza que me cerca, mas de tão embriagado, empalideço minh'alma. Estou só. Ando a esmo mas não me desligo desse concreto que parece me prender. Retorço meus órgãos, dói a solidão. A minha volta, meus amigos tentam construir um novo eu. Meus olhos ficam marejados, a realidade me cai como uma bigorna, tudo gira.
Estou só!
quarta-feira, 18 de março de 2015
35 meses em 16 horas
35
meses em 16 horas. Arfo ao perceber o quão inevitável é o incomodo com a
complexidade sentimental desse dia. Nado com largas braçadas no mar da
bipolaridade enquanto a insegurança infundada toma forma de farol e indica a
direção errada em meio à completa escuridão que permeia meu espírito.
Dicotomia
rudimentar: Eu e eu. Afinal, que é eu? Me perco escrutinando as ideias que me
perturbam e me deixam em constante crise existencial. Então desisto. Me cansa
pensar em tentar me entender. Vago a esmo pela vida a mim concedida sedenta por
um proposito; uma razão. Descubro que tenho vários. Nada é suficiente. Eu não
sou suficiente. A insuficiência se externaliza. Nada mais é suficiente. O que é
suficiência? Não preciso entender.
Do
que preciso então? Preciso parar. Parar de racionalizar. Parar de sentir. Parar
de reprimir. Parar de parar. Parar!
Permaneço
então inerte. Vejo a vida passar como a paisagem em uma janela de um carro em
movimento. Nada faço. Qualquer movimento é um fardo. A possibilidade de tentar
qualquer coisa é coberta por tanta incerteza que retorço meu pâncreas e
permaneço estática esperando alguém chegar.
Você
chegou. Custei a perceber. Percebi! Senti, amei, vivi. Então me perdi. Vesti a
fantasia da insuficiência adornada de insegurança e com leves traços de
orgulho. Peguei a mão que me destes e entreguei impiedosamente ao fogo do
julgamento, da ira, da loucura.
Perdoei;
fui perdoada. Me perdi. Te joguei em um limbo e te obriguei a lidar com tudo
que açoita sua existência. Sadicamente observo de longe. Ora tento ajudar, ora
só faço atrapalhar. Na constância do
aprendizado, pareço criança que recorre às mesmas falhas sem ao menos se dar
conta do que faz. Percebo. Paro! Peço tempo.
35
meses em 16 horas. Arfo.
Desejo
que esse looping acabe logo.
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