quarta-feira, 18 de março de 2015

35 meses em 16 horas

35 meses em 16 horas. Arfo ao perceber o quão inevitável é o incomodo com a complexidade sentimental desse dia. Nado com largas braçadas no mar da bipolaridade enquanto a insegurança infundada toma forma de farol e indica a direção errada em meio à completa escuridão que permeia meu espírito.

Dicotomia rudimentar: Eu e eu. Afinal, que é eu? Me perco escrutinando as ideias que me perturbam e me deixam em constante crise existencial. Então desisto. Me cansa pensar em tentar me entender. Vago a esmo pela vida a mim concedida sedenta por um proposito; uma razão. Descubro que tenho vários. Nada é suficiente. Eu não sou suficiente. A insuficiência se externaliza. Nada mais é suficiente. O que é suficiência? Não preciso entender.

Do que preciso então? Preciso parar. Parar de racionalizar. Parar de sentir. Parar de reprimir. Parar de parar. Parar!

Permaneço então inerte. Vejo a vida passar como a paisagem em uma janela de um carro em movimento. Nada faço. Qualquer movimento é um fardo. A possibilidade de tentar qualquer coisa é coberta por tanta incerteza que retorço meu pâncreas e permaneço estática esperando alguém chegar.

Você chegou. Custei a perceber. Percebi! Senti, amei, vivi. Então me perdi. Vesti a fantasia da insuficiência adornada de insegurança e com leves traços de orgulho. Peguei a mão que me destes e entreguei impiedosamente ao fogo do julgamento, da ira, da loucura.

Perdoei; fui perdoada. Me perdi. Te joguei em um limbo e te obriguei a lidar com tudo que açoita sua existência. Sadicamente observo de longe. Ora tento ajudar, ora só faço atrapalhar.  Na constância do aprendizado, pareço criança que recorre às mesmas falhas sem ao menos se dar conta do que faz. Percebo. Paro! Peço tempo.

35 meses em 16 horas. Arfo.

Desejo que esse looping acabe logo.

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